7 livros da Escola Austríaca para começar (do mais fácil ao mais difícil)

No texto sobre Keynes, contei que ninguém me apresentou Mises e Hayek na faculdade: fui eu que fui atrás. Uma pergunta que sempre aparece quando falo de Escola Austríaca é: por onde eu começo? Esta lista é a resposta. São sete livros, em ordem de dificuldade, do mais curto e acessível ao mais denso. Não precisa ser economista para ler nenhum dos primeiros. Basta curiosidade.

Uma boa notícia antes: vários desses livros têm edição em português e estão disponíveis no site do Instituto Mises Brasil, muitos deles gratuitamente.

1. A Lei, de Frédéric Bastiat (1850)

Nível: iniciante. Leitura de uma tarde.

Bastiat não era austríaco, era um economista francês do século 19, mas é a melhor porta de entrada para o pensamento liberal. Em poucas páginas, ele pergunta: para que serve a lei? E responde: para proteger a vida, a liberdade e a propriedade, e não para tirar de uns e dar a outros. É dele também a famosa ideia do “que se vê e o que não se vê”, que usei no texto sobre taxação de dividendos.

2. Economia numa Única Lição, de Henry Hazlitt (1946)

Nível: iniciante.

Hazlitt foi jornalista econômico e um grande divulgador das ideias de Mises nos Estados Unidos. O livro inteiro gira em torno de uma lição: a boa economia olha para os efeitos de longo prazo de uma política sobre todos os grupos, e não só para o efeito imediato sobre um grupo. Com capítulos curtos sobre salário mínimo, controle de preços, subsídios e obras públicas, é talvez o livro de economia mais didático já escrito.

3. As Seis Lições, de Ludwig von Mises (1979)

Nível: iniciante a intermediário.

São seis palestras que Mises deu em Buenos Aires, em 1959, para um público que não era de economistas, e que viraram livro vinte anos depois. Ele fala de capitalismo, socialismo, intervencionismo, inflação, investimento estrangeiro e da relação entre política e ideias. É curto, direto e mostra Mises no seu melhor: claro e sem rodeios. Se você só for ler um livro desta lista, leia este.

4. O que o Governo Fez com o Nosso Dinheiro?, de Murray Rothbard (1963)

Nível: intermediário.

Rothbard conta a história do dinheiro: como ele surgiu do comércio livre, como os governos tomaram o controle da moeda e como passaram a usá-la para se financiar à custa de quem poupa. É o livro ideal para quem leu o texto De onde vem o dinheiro? e quer ir mais fundo. Provocador, como tudo o que Rothbard escreveu.

5. O Caminho da Servidão, de Friedrich von Hayek (1944)

Nível: intermediário.

Escrito durante a Segunda Guerra, quando boa parte do mundo acreditava no planejamento central, o livro alerta que, quando o governo passa a dirigir a economia, acaba inevitavelmente dirigindo também a vida das pessoas. Foi um sucesso imediato e continua atual: cada vez que alguém propõe que o Estado decida o que produzir, a que preço e para quem, vale reler Hayek.

6. A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, de Jesús Huerta de Soto (2000)

Nível: intermediário.

O economista espanhol Huerta de Soto, um dos maiores nomes vivos da escola, escreveu o melhor panorama que conheço: as ideias centrais, os autores, as diferenças em relação às outras escolas. Tem um foco especial no empresário como motor da economia, tema que tratei no texto O empresário segundo a Escola Austríaca. É o livro para quem quer entender a escola como um todo.

7. Ação Humana, de Ludwig von Mises (1949)

Nível: avançado.

A obra-prima de Mises, com mais de mil páginas. Aqui ele constrói toda a teoria econômica a partir de um único ponto de partida: as pessoas agem com propósito. Não é leitura para um fim de semana; é para estudar com calma, capítulo por capítulo. Mas quem atravessa Ação Humana nunca mais olha para a economia do mesmo jeito.

Dois bônus

  • A Riqueza das Nações, de Adam Smith (1776). Não é austríaco, mas foi onde tudo começou para mim. Ler Smith é entender de onde vem a ideia de que a liberdade gera prosperidade.
  • A Mentalidade Anticapitalista, de Ludwig von Mises (1956). Um livro curto em que Mises tenta explicar por que tanta gente odeia o capitalismo, mesmo vivendo dos benefícios dele. Leitura obrigatória para quem é empresário e cansou de ser tratado como vilão.

Como ler sem desistir

  1. Siga a ordem da lista. Começar por Ação Humana é o jeito mais rápido de desistir.
  2. Leia com o noticiário do lado. Cada capítulo de Hazlitt ou Mises tem um exemplo no jornal de hoje. Fazer essa ponte é o que transforma leitura em entendimento.
  3. Leia também quem discorda. Keynes, Marx, os desenvolvimentistas. Só assim você testa as próprias ideias. Seja um ser pensante, não um ser pensado.

E se você ler algum desses livros, me conte nos comentários o que achou. Vou adorar saber.

Leia também: O que é a Escola Austríaca? e Keynes, o vilão da economia liberal.

Lista e opinião do autor. Os anos indicados são os da publicação original de cada obra.

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