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Ibovespa perde cerca de 18% na semana pós-eleição: o que aconteceu dia a dia e o que o governo respondeu

Da segunda-feira do circuit breaker ao fechamento desta sexta, a bolsa caiu cinco pregões seguidos e o dólar terminou perto de R$ 5,44. O balanço diário da semana, o que disse a Fazenda, os contrapontos e o que esperar do Copom.

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A primeira semana após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva terminou na sexta-feira, 30 de outubro, com o Ibovespa acumulando perda de cerca de 18% e o dólar fechando perto de R$ 5,44, segundo a CNN Brasil. Foram cinco pregões seguidos de queda. Até quinta-feira, o recuo acumulado já era de 17,5%, acima dos 15,6% da semana encerrada em 13 de março de 2020, no início da pandemia, até então a pior da série histórica.

A seguir, o balanço dia a dia, o que o governo respondeu e os argumentos de quem vê exagero no movimento.

A semana, pregão a pregão

DiaIbovespaVariaçãoO que pesou
Seg, 26/10176.608-13,88%Primeiro pregão após a eleição; circuit breaker; dólar sobe 8,36%, a R$ 5,40
Ter, 27/10175.710-0,51%Dólar e juros devolvem parte da alta; Fazenda promete medidas
Qua, 28/10171.006-2,68%Ausência de plano fiscal e de nomes para a economia
Qui, 29/10169.186-1,06%Quarta queda seguida; cautela externa
Sex, 30/10perto de 168 milquedaQuinta queda; dólar a cerca de R$ 5,44
Fontes: CNN Brasil, NC News, DGABC/Estadão Conteúdo. O fechamento exato de sexta pode variar ligeiramente entre as fontes.

O padrão é revelador. Na terça-feira, houve um alívio: o dólar recuou para perto de R$ 5,35 e os juros futuros com vencimento em 2031 caíram de 15,18% para cerca de 14,91% ao ano. A partir de quarta, porém, a bolsa voltou a cair todos os dias. Para analistas, o motivo foi o mesmo: a falta de um sinal concreto de ajuste fiscal.

O que o governo respondeu

A principal manifestação veio na terça-feira, 27. Segundo a Forbes Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que:

  • a queda de segunda “não é de fundamento” e refletiu a desmontagem de apostas na vitória de Flávio Bolsonaro;
  • o governo tem medidas fiscais “prontas”, incluindo um projeto para buscar o centro da meta fiscal de 2027;
  • as medidas só serão apresentadas depois que o presidente definir o novo ministério, sem data marcada;
  • há coordenação com o Banco Central, e o Tesouro pode voltar a atuar no mercado de títulos públicos, se necessário.

Quanto à equipe econômica, ainda não há anúncio. Reportagem do NeoFeed cita o vice-presidente Geraldo Alckmin como nome natural para a Fazenda e menciona também o governador do Piauí, Rafael Fonteles, que disse não ter sido convidado.

O que o mercado cobrou

Para os analistas ouvidos pela imprensa, promessa sem detalhe não foi suficiente. Silvio Campos Neto, da Tendências, afirmou que não há plano de ajuste fiscal em discussão, apenas medidas pontuais para cumprir metas. Jeferson Bittencourt, da ASA e ex-secretário do Tesouro, defendeu um sinal fiscal claro ainda em 2026, e não um plano adiado para 2027. Roberta Folgueral, da B&T XP, avaliou que a saída de investidores “não é uma reprecificação pontual”.

O fluxo estrangeiro confirma a desconfiança. Segundo dados da B3 compilados pelo portal Eu Quero Investir, investidores estrangeiros retiraram R$ 2,85 bilhões da bolsa só na segunda-feira, a terceira maior saída diária do ano. Somados os dois pregões anteriores à eleição, foram R$ 6,82 bilhões em três dias.

Os contrapontos

Uma análise honesta precisa registrar o outro lado:

  • Parte da queda era aposta desfeita. O Ibovespa havia subido cerca de 7,7% depois do primeiro turno, quando Flávio liderava. Uma parcela do tombo foi a devolução desse rali, como argumentou o próprio ministro.
  • O cenário externo também pesou. Ao longo da semana, as bolsas americanas recuaram com balanços decepcionantes de empresas de tecnologia, e o petróleo Brent passou de US$ 116 por barril, alimentando o temor de juros globais altos por mais tempo.
  • O saldo estrangeiro de outubro segue positivo: R$ 13,34 bilhões no mês e R$ 40,73 bilhões no ano, até o dia 26.
  • A economia real ainda mostra força no emprego: a taxa de desemprego caiu para 5,2% no terceiro trimestre, a menor para o período desde o início da série, em 2012.
  • Nem tudo caiu. Nesta sexta, ações de exportadoras e de empresas ligadas a commodities, como Vale e Petrobras, operaram em alta, ajudadas pelo dólar mais caro.

Em 2022, após a eleição anterior, a bolsa também sofreu e depois recuperou terreno quando o mercado passou a enxergar o arcabouço fiscal. O precedente existe. A diferença, desta vez, é o ponto de partida: dívida mais alta, juros já em 13,75% e um orçamento de 2027 pressionado pelas medidas de campanha, que a Instituição Fiscal Independente estima em R$ 40 bilhões sem previsão orçamentária.

A minha leitura

O ministro tem razão em parte: o choque de segunda-feira teve muito de reposicionamento. Mas o que explica as quatro quedas seguintes não é aposta desfeita, é silêncio. Mercado não precifica intenção, precifica compromisso verificável. Enquanto o governo disser que as medidas estão “prontas”, mas condicionar o anúncio à montagem do ministério, o investidor vai continuar cobrando um prêmio de risco maior. E esse prêmio aparece no dólar, nos juros e, no fim, no custo do crédito de cada empresa brasileira.

Pela lente da Escola Austríaca, preços são informação. A queda de cerca de 18% em uma semana não é “terrorismo” nem humor passageiro: é milhões de decisões individuais dizendo que o risco de emprestar ao Brasil e de investir aqui aumentou. Ignorar esse sinal costuma sair caro.

O que observar nesta semana

  • Segunda, 2/11: feriado de Finados, a B3 não abre.
  • Terça e quarta, 3 e 4/11: reunião do Copom. Economistas como Samuel Pessôa (FGV Ibre) esperam manutenção da Selic em 13,75%, sem espaço para corte até o fim do ano; parte do mercado chegou a precificar alta, segundo a Reuters.
  • Anúncio da equipe econômica e do projeto para a meta fiscal de 2027, prometido pela Fazenda.

Em resumo

  1. O Ibovespa caiu cinco pregões seguidos e perdeu cerca de 18% na semana; o dólar terminou perto de R$ 5,44.
  2. A Fazenda disse ter medidas prontas, mas condicionou o anúncio à definição do ministério, sem data.
  3. Estrangeiros tiraram R$ 2,85 bilhões da bolsa no primeiro pregão após a eleição.
  4. Contrapontos: devolução do rali do primeiro turno, cenário externo negativo, desemprego na mínima e saldo estrangeiro ainda positivo em outubro.
  5. Na próxima semana, o Copom e o anúncio da equipe econômica devem definir o rumo.

Artigo de análise e opinião do autor. Dados de mercado conforme CNN Brasil, NC News, Gazeta Brasil e DGABC/Estadão Conteúdo; declarações do ministro conforme Forbes Brasil; fluxo estrangeiro conforme Eu Quero Investir; equipe econômica conforme NeoFeed; Copom conforme InfoMoney e Reuters. Este conteúdo não é recomendação de compra ou venda de ativos.

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Uma resposta a “Ibovespa perde cerca de 18% na semana pós-eleição: o que aconteceu dia a dia e o que o governo respondeu”

  1. Avatar de Selic a 7,5% por decisão política? Por que a proposta de André Lara Resende é um risco para o Brasil – Cesinha Economia

    […] sinal fiscal concreto, o Ibovespa perdeu cerca de 18% e o dólar foi a R$ 5,44, como analisei em texto anterior. Gestores ouvidos pela imprensa resumiram bem: o diagnóstico de Lara Resende pode estar certo, mas […]

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